Um dos maiores mitos no chão de fábrica é a crença de que "quanto mais graxa, melhor". A realidade técnica, porém, não admite exageros. Quando o assunto é a lubrificação de rolamentos em motores elétricos industriais, graxa demais vira freio, não lubrificante.
A aplicação de volumes acima do especificado pelo fabricante ou a falta de cálculo adequado (como o fator de rotação DN) desencadeia uma reação em cadeia que compromete todo o ativo.
O interior de um rolamento não deve estar completamente cheio de graxa. O espaço livre é essencial para a dissipação térmica e para a acomodação do óleo liberado pelo espessante. O excesso gera:
Causa Raiz
- Aplicação de volume de graxa acima do especificado.
- Intervalo incorreto de relubrificação (excesso de intervenções).
- Falta de cálculo do fator DN e velocidade de operação.
Consequência
- Aumento crítico do atrito interno no rolamento.
- Elevação térmica abrupta e oxidação da graxa.
- Aumento de pressão, rompimento de retentores e vazamento.
- Falha prematura ou queima total do motor.
Evidências em Campo: Contaminação do Estator
A pressão gerada pelo excesso de graxa em altas rotações força o lubrificante a romper as vedações e retentores, vazando diretamente para o interior do motor. Essa graxa extravasada se aloja nos enrolamentos do estator . Isso anula a dissipação térmica do cobre, causa aquecimento excessivo e degrada o verniz isolante, resultando em uma falha catastrófica por curto-circuito.
Na Stramar Motores, lubrificação é cálculo e precisão. Qualidade técnica não admite improviso. Nosso processo de montagem e lubrificação garante a vida útil máxima do elemento rolante:
1. Volume Controlado por Cálculo
Preenchemos apenas os espaços vazios do rolamento com graxa, calculando o volume exato. Nos anéis de fixação (tampas), preenchemos no máximo ¾ do volume disponível, garantindo espaço para expansão térmica.
2. Prevenção Absoluta de Contaminação
A aplicação de graxa é feita exclusivamente com espátulas limpas e luvas adequadas. Nunca aplicamos lubrificante com as mãos nuas , pois o suor e a sujeira contaminam a matriz da graxa, iniciando a oxidação antes mesmo do motor rodar.
3. Montagem Térmica Instrumentada
O rolamento, já devidamente lubrificado, é aquecido de forma homogênea a 90°C (via aquecedor indutivo) para a dilatação correta antes da montagem no eixo . O sensor de temperatura é posicionado estritamente no anel interno, evitando danos térmicos à graxa recém-aplicada.
A Equação da Confiabilidade
Quantidade correta = Temperatura controlada + Maior vida útil. Através do sistema MotorAccomp, todo o volume de graxa aplicado, o tipo de espessante utilizado e os laudos fotográficos da montagem são registrados no DataBook do seu motor, garantindo rastreabilidade total para a sua equipe de engenharia.